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Em
1966 foi apresentado o enredo “O petróleo é Nosso”, comovendo
o público com todas as riquezas naturais do país, em 1967
apresentou “Os cinco Bailes do Império”, apresentando o samba
de Irai Conceição e Miguel Damasceno que tinha em seu refrão
principal.
Neste
ano de 1967,
realizou-se o sonho de comprar o terreno da própria escola de samba
Os Rouxinóis, onde posteriormente foi erguida sua sede social.
Um
capítulo muito especial é dedicado a uma das mais carismáticas
componentes de Escola de Samba os Rouxinóis, que foi a baiana
“Bilucha” cuja simpatia era o argumento usado para conquistar,
aglutinar mais integrantes e simpatizantes, como linha de frente da
escola era responsável pelas promoções no cargo de Diretoria das
Senhoras onde realizavam chás e bailes nas residências dos
componentes no intuito de arrecadar recursos financeiros para o
desfile da entidade. Sentindo-se mal num dos desfiles da escola de
samba na vizinha cidade de Paso de Los Libres, tendo que atravessar
a ponte como desmaiada estivesse mas chegando aqui já havia
falecida. Mas seus familiares comentam que ela costumava dizer que
morreria feliz se isto viesse acontecer na avenida de samba com ela
fantasiada sob o manto verde-branco. Seu nome sempre é citado como
sendo uma pessoa vibrante, apaixonada e que sabia alegrar um
desfile. Outra sambista considerada ícone nos Rouxinóis foi Maria
Helena Bilhalva, que contam tocava os instrumentos da escola de
samba e dançava com exuberante magia, tanto que dançava com equilíbrio
fenomenal em cima dos pratos de um dos componentes da bateria. Em
1968 quinze anos de história marcaram a trajetória desta escola
brilhante, quatorze títulos foram conquistados encerrando um ciclo
magistral onde a comunidade negra foi um dos pilares centrais da
cultura afro-rítmico na formação da cultura das escolas de samba
de Uruguaiana. A escola ainda desfilou mas depois ficou paralisada
até o ano de 1973, período de transição e que foi construída o
galpão sede da agremiação.
A
chegada de Severo Luzardo e Magda Gonçalves na Escola de Samba, foi
sem dúvida um fato importante na reestruturação do novo Rouxinol,
pois a entidade não havia participado do carnaval de, 69, 70, 71 e
neste período uma transição se efetuava. Foi com uma visão de
tornar a agremiação carnavalesca em um Clube Social que acabou por
dar os Rouxinóis o pioneirismo na aproximação nas classes
sociais, já que naquela época eram mais distantes as realidades
que envolviam tais relações. No momento o em que a sede social foi
erguida (1971/72), estas lideranças trataram de aproximar seus
amigos que circulavam nos salões dos diversos clubes e em suas
confrarias sociais, principalmente os companheiros do Bloco Big-Ben
do Clube Comercial. O fortalecimento é imediato e já em seu
primeiro ano de retorno em 1973, com o enredo Reminiscências do
Carnaval conquistaram o primeiro lugar no carnaval e o luxo passou a
ser a marca registrada da entidade. A empolgação passou a se
refletir nos bailes e jantares como também o início do som mecânico
para os jovens com a PEF SHOW SONORIZAÇÕES.
A
criatividade dos carnavalescos (as) eram tantas que a cada ano
sempre eram esperadas novidades em seus desfiles. Em 1974 a escola
desfilou na avenida do samba com o enredo Zumbi o Rei Negro dos
Palmares e a grande atração foi o samba cantado por Wanderlei
(negrinho) e Oristela Alves, provando que a mulher mesmo antes dos
movimentos feministas alcançarem o seu apogeu já se integrava
naturalmente dentro do contexto carnavalesco. Um parêntese especial
tem que ser aberto para o músico militar fuzileiro naval que
incorporou-se aos Rouxinóis nos anos 60; Edison Camargo Evangelho
comandou a bateria em 73-74 e compôs os sambas de 68-73-74.
As
famílias sempre foram os alicerces da agremiação e contribuíram
enormemente para o
aparecimento de novos talentos no seio da comunidade verde-branca.,
assim a vertente negra que se expressava com muito talento nas
artes, principalmente na música, acaba por brindar a escola com
Cezar Scoto Rodrigues (o Passarinho); cantor e baterista jeitoso,
impôs sua voz magnífica e sua simplicidade ímpar na interpretação
dos sambas enredo e com isso fortaleceu seu valor artístico,
convidado a defender composições nativistas vem tornar-se mais
tarde o cantor símbolo da Califórnia da Canção e celebridade no
nativismo gaúcho. Sua passagem pela escola honra toda nação
alve-verde.
Magda
e Severo, registraram nesta fase dos Rouxinóis contribuições que
não se pode medir, pois nesta tarefa complexa de fazer a interpretação
da escola, desenhar figurinos, confeccionar fantasias, arranjar,
investigar, pesquisar novos elementos, agentes inovadores e ainda
decorar alegorias, sempre o fez acompanhados de seus filhos Severo
Filho (Tuca) e Flávio Luzardo, juntamente com Maria Bastos, Claudio
Heitor Piegas, Maria Aparecida Velo Guez e tantos outros que
formaram a ala jovem da escola, preparando uma nova geração que
futuramente daria prosseguimento nestas atividades.
Esta
ala criou os dez mandamentos dos Rouxinóis:
Amar
os Rouxinóis acima de tudo.
Honrar
com justiça nossa querida Uruguaiana.
Não
usar seu nome sem dignidade.
Trabalhar
e lutar por tudo e em tudo.
Não
fraquejar e não recuar diante de nada.
Seguir
em frente unidos e com bravura.
Evitar
atritos entre irmãos de sangue.
Derramar
seu suor no trabalho e no asfalto da avenida.
Abrandar
e acalmar corações desgostosos.
Elevar
sua fama e sua cor verde-branco por todo Brasil. |